16.10.09

Horário de Verão

O Horário de Verão foi criado no governo Geisel para economizar energia elétrica. Reduzido à região Centro-Sul por ser ineficaz no Norte e Nordeste, seu principal benefício hoje seria evitar o "black-out", queda do sistema elétrico nas horas críticas.
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A adaptação diária ao ciclo vigília-sono é delicada. O ritmo predominante no organismo é de cerca de 25 horas e não é fácil de ser contido no período geofísico, que é o mesmo do calendário de 24 horas. Acertá-los implica ou ganhar 1 hora cada dia, tirando a folga dos processos biológicos, pouco redutíveis, ou na supressão de alguma função orgânica, geralmente do sono.
O descanso semanal é a chance de por em dia a necessidade biológica atrasada e acumulada. Mas, quando a semana recomeça, gera-se a "síndrome da segunda-feira", devido ao início da compressão de 25 horas em 24.
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Durante o período do Horário de Verão, a insônia parece dobrar devido a dessincronização do ritmo biológico, refletindo em um descontrole pessoal do tempo, além dos seguintes sintomas: altos índices de atraso, de sonolência diurna, de irritação e de depressão, baixos rendimentos no trabalho e na escola, maiores taxas de êrro, de violência, de acidentes e de mortalidade no trabalho e no trânsito. O desafio inicial é ter que adiantar duas horas no ritmo biológico, o que poucas pessoas conseguem se enquadrar.Crônicamente a maioria dos brasileiros já passa pelo ônus de estar atrasado ou perturbado no ritmo biológico. Adiantar a hora sobrecarrega mais o social, a saúde e a produtividade dos que queiram se integrar nele. Enfim, todos que acharem razões sociais ou pessoais para se esquivar do horário de verão, o farão, mesmo sob dependência de manter a hora com soníferos.
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O ideal seria ou este horário ser suprimido, ou ser adotado por todo o ano, de forma a permitir que muitas pessoas se adaptem definitivamente e se dê maior estabilidade na dimensão tempo para melhorar a qualidade da vida, o que lhe dá sentido.
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Texto: Professor Fernando Pimentel de Souza
Instituto de Ciências Biólógicas da UFMG

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